#Eu não mereço ser estuprada e nem calada


Nos últimos dias, abrindo as redes sociais, o que mais vemos são fotos de mulheres de todas as idades, sozinhas ou em família, mas todas carregando em um papel ou em seus corpos o seguinte dizer: "Eu não mereço ser estuprada."


Abordando o assunto com outras pessoas e analisando a repercussão na própria mídia, vejo muitos diminuindo o movimento, alegando ser apenas oportunismo os muitos corpos nus que protestam. Pode ser que, em muitos casos, realmente seja. Não sou hipócrita o suficiente a ponto de afirmar que todas as pessoas, sejam mulheres ou homens, que estão reivindicando, o estão fazendo de forma genuína. Acredito que realmente haja muito oportunismo, modismo, ou como você decidir chamar. Nem todos estão verdadeiramente preocupados em mudar alguma coisa. Mas não acredito que isso seja importante e, muito menos, digno de ser usado como argumento para desconstruir o que está sendo construído.

Penso que, antes de perdermos tempo nos atentando aos motivos únicos que levam cada uma dessas mulheres a mostrar a cara e o corpo e afirmar que não merecem ser estupradas, deveríamos usar todo esse movimento e as discussões ricas que ele vem proporcionando para ampliar e enriquecer nossa visão acerca das questões de gênero.

Que, ao invés de apenas questionarmos a validade da pesquisa que deu origem a estas reivindicações, tenhamos em mente que, independentemente do resultado e do que muitos pensam a respeito do tamanho de nossas roupas, o estupro continua acontecendo e que todo e qualquer motivo e espaço que nos convide a falar sobre, nunca deixará de ser válido e construtivo.

Seja compartilhando fotos ou experiências ou apenas o acompanhando, que possamos enxergar e compactuar com toda a positividade que este movimento vem trazendo junto consigo. Que haja menos atenção aos detalhes e mais abertura e ouvidos para tudo aquilo que precisa e merece ser dito. Que se fale da maneira que for, pelo motivo que for, mas que se fale. Qualquer voz é melhor do que o silêncio. Não merecemos ser estupradas e cansamos de permanecer caladas.

Patrícia Pinheiro 

Texto publicado também no Blogueiras Feministas, Portal Africas, Sociedade Racionalista e no jornal Diário de Santa Maria.
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Comentários via facebook

6 comentários:

  1. Parabéns pelo texto, desabafou tudo que devia estar te incomodando, sempre é bom colocar pra fora alguns desabafos, gostei mesmo do seu texto. Sucesso para você e para o seu blog.

    Arthur Claro
    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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    1. Muito obrigada, Arthur!
      Fico muito feliz que tenha gostado e desejo o mesmo para você!
      Beijos :)

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  2. Oi Pati tudo bom? então várias amigas fizeram essa campanha também, tudo começo pelo uma pesquisa feita pelo um instituto em São Paulo, e teve uma grande mídia encima desse assunto, semanas depois apareceu em vários jornais que a pesquisa tinha cido uma fraude que trocaram os resultados, e que foi bem menos os resultados da pesquisa.

    http://olhardeumgaroto.blogspot.com/

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  3. Olá, Guilherme!
    Pois é, eu fiquei sabendo! Mas, independentemente dos resultados, minha opinião é a mesma. O número, apesar de não ser o mesmo que havia sido mostrado inicialmente pela pesquisa, não deixar de ser preocupante.

    Obrigada pela visita! :)
    Beijos!

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  4. Eu não tenho gostado da maneira que as pessoas veem abordando o assunto sobre o estupro, principalmente porque a maioria das pessoas que falam sobre isso nunca foram estupradas. É muito fácil chegar numa rede social e tentar descobrir a causa de um estupro ou apontar a fonte do problema, mas até hoje eu não vi ninguém se preocupando com o impacto que esse tem na vida da pessoa que sofreu um estupro.

    www.entreosmeusdrama.com.br

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    1. Verdade, Débora! O que precisa ser urgentemente entendido é que a culpa NUNCA é da vítima! Também me preocupo com a pouca atenção que se dá aos impactos que um estupro causa na vida de alguém, pois sabemos que são muitos e isso é preocupante.

      Um beijo grande!

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