Vai mesmo, gordinha Difícil não acreditar no feminismo O sutiã cor de rosa Eu não merecia ser estuprada Afinal, o que querem as mulheres O amor mora nos detalhes

Internidades - Cáh Morandi

Hoje, venho compartilhar com vocês um pouquinho sobre o livro maravilhoso que a Editora Penalux gentilmente me cedeu: Internidades, de Cáh Morandi.



Internidades é um livro de 126 páginas recheadas de curtas poesias que transbordam sentimento e que nos encantam pela naturalidade e beleza transmitidas pelas palavras.

Uma degustação do que vocês encontram no livro:






Cah Morandi é de Florianópolis - SC e, além de uma incrível poeta, é, também, cronista.

Vocês podem conhecer mais sobre o trabalho dela acessando seu site pessoal: http://www.cahmorandi.com/


Fica, aqui, minha enorme recomendação para a leitura do livro. Ele já está em pré-venda no site da Editora Penalux e você pode adquiri-lo através do link: http://www.editorapenalux.com.br/loja/product_info.php…

Abraços!


Aos leitores de olhares



Todos nós, em algum momento da vida, independente de qual seja a causa, passamos por momentos difíceis. São aqueles dias em que a vida perde a cor, o mundo lá fora é assustador, mas viver dentro dos nossos próprios corpos também é. São os dias em que gostaríamos de sumir, mas não temos para onde; em que gostaríamos que alguém nos abraçasse e pudesse simplesmente captar e entender toda toda a tortura e agonia que explode dentro de nós, assim, sem que precisemos dizer uma palavra.

Ultimamente, dados alguns acontecimentos que não poderiam me deixar de outra forma, tenho estado nesses dias. Comer é um sufoco. Sair de casa é um sufoco. Falar sobre os meus sentimentos? Dificílimo. Visto o melhor sorriso que consigo, cubro as olheiras com maquiagem e saio por aí fazendo o necessário. Exceto pela perda de peso que sempre denuncia que as coisas não vão muito bem comigo, eu engano direitinho. Alguns dias são melhores; noutros, levantar da cama é missão impossível, mas, como sou mestre em ocultar sentimentos - ainda que não o faça de forma voluntária - poucos parecem notar a diferença.

Mas, recentemente, um amigo - uma daquelas raras pessoas que ainda carregam sorrisos de criança e que parecem ter nascido com a função de ser anjo para aqueles que precisam - me chamou a atenção ao acertar, por vários dias seguidos, antes mesmo que eu tivesse tempo de esmiuçar qualquer expressão facial ou dizer alguma palavra, como estava o meu estado de espírito: "Patrícia, hoje tu não tá muito bem, né?" "Olha, tô feliz de te ver, hoje tu estás bem!"

Comecei a ficar intrigada, resolvi até testá-lo. Num determinado dia em que nos encontramos, não estava me sentindo muito bem, mas, mesmo assim, propositalmente caprichei no sorriso e na empolgação ao cumprimentá-lo e, para minha surpresa, ele olhou demoradamente para o meu rosto e concluiu: "Patrícia, não gostei do que vi, tu não estás bem!" Bruxaria? Leitura de pensamentos? A curiosidade estava me matando e decidi perguntar: " Qual é o segredo? Como tu sempre adivinhas como estou me sentindo?" "É simples, Patrícia" - ele respondeu "Quando tu estás feliz, teus olhos brilham".

Isso não saiu mais da minha cabeça. Em tempos de sensibilidade minguada, de olhares que fogem uns dos outros e que passam mais tempo voltados para telas de celulares, me descobri perplexa e comovida ao constatar que ainda existem leitores de olhares. Mal eu sabia que meus olhos me denunciavam. Talvez eles tivessem a espera de outros que ainda preservassem suficiente inocência para serem capazes de ver o que ninguém mais vê; de enxergar os brilhos que são visíveis apenas a almas nuas.

Graças a ele, agora sei o que perseguir, agora tenho um medidor de felicidade mais genuíno do que qualquer riso espontâneo que os meus lábios possam vir a formar; agora sei que, ainda que eu tenha conhecido a escuridão, meus olhos sempre serão capazes de brilhar e que, quando isso acontecer, terei a certeza de que haverá alguém no mundo apenas esperando para dizer: "Nunca perca esse brilho".

Patrícia Pinheiro


Resultado do sorteio: Anjos à mesa e Se eu ficar

Olá, gente!

Já temos o resultado do sorteio que fiz em parceria com a minha amiga Nina, do Nina é uma!

As ganhadoras foram: Luiza Maia Uzal e Gothic Owl (Pérola Negra)
Parabéns, meninas!

A Nina já entrou em contato com vocês e o prazo para responder o e-mail é até sexta-feira que vem!


Ficamos muito felizes com o grande número de participações e, fiquem sempre ligados, pois mais sorteios vêm por aí!

Sorteio Literário: "Anjos à mesa" e "se eu ficar"



Oi, gente!

Tem sorteio novo no blog e, dessa vez, é em parceria com o blog Nina é uma, da minha amiga Nina Spim.

Os prêmios serão dois livros: o primeiro ganhador leva Anjos à mesa, e o segundo, Se eu ficar.

1. Seguir publicamente OS DOIS blogs (lembrando que quem não estiver seguindo será automaticamente desclassificado e que não é necessário ter um blog para tal feito).
2. Seguir os passos do Rafflecopter (não é necessário fazer todos, mas quanto mais vocês fizerem mais chances têm de ganhar).
3. O sorteio começa dia 01/10 à meia-noite e termina dia 01/11, à meia-noite (do dia 31 para o dia 1/11).
4. Os vencedores têm até cinco dias úteis para entrar em contato pelo e-mail mundodanina@gmail.com
5. Os livros serão enviados para os ganhadores até uma semana depois do encerramento do sorteio (lembrando que eu fico responsável por Anjos à mesa, e, e Nina, por Se eu ficar).


* Link do Google+ a ser seguido como chance extra: https://plus.google.com/+NinaeumaBlogspot1


a Rafflecopter giveaway

Resultado do sorteio em parceria com a Editora Penalux

Olá, gente!
Conforme combinado, venho informar o resultado do sorteio em parceria com a Editora Penalux.
A sortuda, que vai ganhar um exemplar do livro "O Lugar da Espera", é: Fefa Sol!

1 – Arlete Magalhães
2 – Carolina Gama
3 – Fefa Sol
4 – Juliana Oliveira
5 – Júlia Fortes

Parabéns, Fefa!

Agradeço a participação de todos e fiquem atentos porque logo vem mais sorteio por aí!

Vai mesmo, gordinha!

      Foto de Liora K e Jes Baker. Parte do projeto fotográfico “EXPOSE: SHEDDING LIGHT ON COLLECTIVE BEAUTY”,         que busca mostrar a beleza de mulheres comuns e reais.

Lendo o texto que Mariliz Pereira José escreveu para a Folha: “Vai, gordinha”, admito que me senti incomodada. Por se tratar de um veículo de informação com tamanha visibilidade, me entristece e me preocupa ver uma gordinha que se exercita sendo comparada, nas palavras da cronista, a “um queijo provolone amarrado se desmanchando”.

Ao dar uma proporção gigantesca aos 7 quilos que adquiriu em um ano, a autora confessa que toma banho à luz de velas para evitar visualizar o próprio corpo, se auto intitula uma “gordinha esperta” por saber vestir-se de forma a parecer mais magra, além de afirmar que se submete à atividades físicas que detesta. Não pretendo aqui, de forma alguma, atacar a escritora ou desmerecer seu trabalho, mas, analisando sua abordagem, percebe-se que, durante todo o texto, a pessoa “gordinha” é associada, unicamente, a algo negativo, indesejado e digno de compaixão, o que é, a meu ver, totalmente problemático.

Ao mostrar seu sofrimento para adequar-se aos padrões de beleza, a autora, ao invés de utilizar a exposição de suas próprias vivências como uma forma de criticar e questionar tais construções, peca ao fazer exatamente o oposto: reforçá-las. Mas, cara Mariliz, sei que você não tem intenções de promover o ódio e o preconceito, já vi muitas mulheres fazendo comentários como os seus. Sinto que muitas vezes, nós mulheres, estamos apenas reproduzindo o que nos foi ensinado desde pequenas: criticar mulheres por suas formas físicas.

Mariliz, entendo que a beleza não conhece formas, que não é medida em quilos. Ela reside, ao contrário, exatamente na tranquilidade de ser exatamente aquilo que nós mesmas quisermos ser; e jamais no que é moldado pela opinião alheia. Eu também me solidarizo com a gordinha que está lá suando na esteira, seja por qual motivo for, porque acredito que ela está disposta a mudar, de ver a vida de outras formas. Coisa que talvez o seu amigo que não gosta de gordinhas ou mesmo você que não gosta de regatas parecem não estar.

Hábitos saudáveis de vida são importantes e devem, sim, ser estimulados, mas tão importante quanto é que possamos definir claramente nossos próprios interesses e metas para que elas jamais se confundam com aquelas que, desde muito cedo, acabam construindo para nós. E é por isso que não podemos fechar os olhos para a reprodução da gordofobia que, de alguma forma, se encontra presente em suas palavras; é preciso que, apesar de todos termos direito à preferências pessoais, se lute contra a imposição do que é “bonito” e do que é “feio”, se lute contra discursos que possam denegrir o outro.

Por isso, Mariliz, desejo profundamente que, com 7 quilos a mais ou a menos, você possa se sentir bem com o seu próprio corpo; que nunca venha a sofrer de dor lombar, mas que não deixe de comer pizza com seus amigos para comemorar as coisas boas; que use roupas que te fazem sentir linda, mas que jamais abdique do seu conforto; que tome banho pelada, com um espelho na frente e com todas as luzes da casa acesas para poder se lembrar todos os dias do quão poderosa você é; e que, quando for capaz de se sentir incondicionalmente linda e LIVRE, passe a encorajar todas as gordinhas e magrinhas a fazerem o mesmo. Vai mesmo, gordinha! Vai mesmo, mulher!

Sorteio em parceria com a editora Penalux


Oi, gente!

É com muita alegria que venho comunicar que o blog acabou de fechar parceria com uma editora super legal: a Penalux. E, para iniciar em grande estilo essa nova parceria, nada melhor que um sorteio, né?


Eis o prêmio super legal que a editora gentilmente cedeu para sorteio:



O LUGAR DA ESPERA

Gênero: Prosa poética (Selo Castiçal)

Autor: Erica de Paula





Regras:

1 - Curtir a Fan Page do blog AQUI;
2 - Adicionar a página da Penalux AQUI;
3 - Deixar um comentário neste post avisando que está participando e informando link do Facebook com o qual seguiu as páginas e e-mail para contato.

O envio do prêmio fica sob responsabilidade da editora e o sorteio será realizado no dia 26/09.

Boa sorte!



Divulgando "Anelisa Sangrava Flores", de Anderson Henrique



Olá, gente!

É com muita alegria que hoje venho divulgar o mais recente e incrível trabalho do escritor Anderson Henrique publicado pela editora Penalux: o livro "Anelisa Sangrava Flores".

Neste livro de estreia de Anderson Henrique, o razoável e o absurdo são separados por uma membrana muito sutil em 13 contos que reforçam os méritos da boa literatura fantástica. Em seu universo particular, premissas físicas, temporais e lógicas são subjugadas por tramas e personagens tão improváveis quanto verdadeiros. Transbordam pelos caminhos do contrassenso, mas o fazem indagando ações e sentimentos humanos, interpondo-se sobre o que temos como real em um convite a reflexões multíplices.

Em contos como Uma noite, uma década, as barreiras do tempo são distorcidas e recriadas sempre que um casal se relaciona intimamente. Em A previsão de José Pasqual acompanhamos as últimas horas da única pessoa ciente das circunstâncias do fim dos tempos; Em Estela e Anelisa Sangrava Flores, são as mulheres as responsáveis por moldar e alterar a realidade – a primeira transmuta a si própria, a segunda tem em seu sangue a força transformadora. Em Carolina, Scarlet, Jordana, os sonhos servem de material para as peripécias do autor.

Seria apropriado enquadrar o livro de Anderson Henrique nas concepções do realismo fantástico latino-americano, mas a boa literatura escapa dos limites de tais classificações. Neste livro de estreia, o autor desponta como criador de um realismo mágico próprio, repleto peculiaridades e alegorias que insistem em fazer verdade o que parece tão afastado dela. 


                                                
       

Ficha técnica: 
Título: Anelisa Sangrava Flores 
Autor: Anderson Henrique 
Total de páginas: 124 
Editora: Penalux 
Lançamento: Julho de 2014 
Onde comprar: http://www.editorapenalux.com.br/ 
Blog: http://anelisasangravaflores.blogspot.com.br/ 

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Sobre o autor:
Anderson nasceu no Rio de Janeiro, Capital, em 1982. É formado em Letras - Literaturas de Língua Portuguesa. Alguns de seus textos foram premiados em concursos literários nacionais. Publicou nos livros Dramas Urbanos, pela editora Monte Castelo, Dimensões.br pela editora Andross, Grimoire dos Vampiros e Ufo - Contos não identificados pela editora Literata. Anelisa Sangrava Flores é seu primeiro livro solo. 

Email: andersonhgo@gmail.com 
Facebook:https://www.facebook.com/anderson.henrique.777                                                                                           


Padrões de beleza que adoecem









Sempre fui magra. Anos após entrar na adolescência, comecei a ganhar um pouco de corpo. Mais ou menos, até os 15 anos, me sentia bonita, não tinha maiores problemas com meu peso.

Por volta dos 16 ou 17 anos, enquanto ainda estava no ensino médio, em decorrência de algumas doenças físicas e, posteriormente, traumas emocionais, comecei a emagrecer bastante. Mas eu não percebia a diferença, me alimentava consideravelmente bem e levava uma vida normal. Foi quando os outros começaram a apontar e a criticar minha magreza.

E assim, dia após dia, eu, que mais magrinha ou mais cheinha sempre havia vivido bem dentro do meu próprio corpo, passei a ouvir calada os diversos comentários negativos dispensados ao meu corpo magro, comecei a internalizá-los e a acreditar neles.

O seguinte pensamento passou a martelar 24h por dia na minha cabeça: “Para ser bonita e aceita, preciso engordar”. Assim, passei a fazer milhares de tratamentos, a comer coisas que não tinha vontade mesmo quando estava sem fome, e a frequentar academias (coisa que detesto fazer).

Cada quilo que eventualmente eu perdia, acabava comigo. A cada: “Nossa, como você tá magrinha”, lá ia eu novamente tentar descobrir como juntar os pedaços e levantar da cama no outro dia sem ter medo de colocar uma calça que, aos meus olhos, iria sobrar mais ainda na cintura.

Passei a desenvolver uma espécie de síndrome do pânico, um medo patológico de emagrecer. Medo de ficar doente e emagrecer. Medo de comer uma coisa estragada e emagrecer. Colocando assim, parece bobo, mas a preocupação com o corpo, a associação que fiz entre o corpo ideal e a felicidade, me tirou grande parte da tranquilidade de viver, da espontaneidade, da segurança; me fazendo preocupada, pessimista, detalhista, extremamente ansiosa e facilmente deprimida.

Fiz e ainda faço muita terapia para conseguir lidar com esse padrão de pensamento que, mesmo que de forma um pouco menos acentuada, ainda insiste em me puxar para baixo. Mas hoje, consigo entender que apesar de eu ter permitido que todo esse medo tomasse uma proporção gigantesca na minha vida, eu não o construí sozinha.

Eu não me sentia feia, até que começaram a dizer que eu seria muito mais bonita se ganhasse uns quilinhos. Eu não me sentia menos gente, até alguém dizer que “eu era legal, mas muito magrinha”. Eu me sentia inteira antes de me dizerem que eu estava a ponto de sumir.

O que mais dói é saber que eu sou mais uma dentre as milhares de mulheres que experienciam situações como essa; que, na tentativa de engordar ou emagrecer, adoecem para atingir um padrão de beleza que nos é empurrado todo dia. E é por isso que meu estômago revira a cada capa de revista que eu vejo carregada de dietas para emagrecer. É por isso que não faço questão de ter a amizade de uma pessoa que chama uma mulher de “caveira” ou de “baleia”.

É por todos esses comentários maldosos a que eu e muitas mulheres ainda somos submetidas que precisamos do feminismo, pois, diferentemente de vitimização, como muitos o definem, ele é, sim, o abrigo de vozes que lutam contra todas essas imposições que já tiraram o meu brilho do olhar; é a certeza de que o belo e o correto sempre serão nada mais do que aquilo que NÓS MESMAS desejarmos ser.



Patrícia Pinheiro 



Foto de Elena Ocho no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Pesquisa de público

Olá, gente!

Como o blog está crescendo cada vez mais, já estava mais do que na hora de fazer uma pesquisa com o intuito de conhecer e ouvir um pouco mais meu público. Por isso, por mais que vocês tenham acabado de conhecer o blog ou já o acompanhem há mais tempo, peço que, se possível, tirem um tempinho para me ajudar respondendo a esta pequena pesquisa. Sejam muito sinceros e não se preocupem que tudo permanecerá anônimo.

Segue o formulário:
 

Àqueles que responderam, fica meu muitíssimo obrigada pelo tempo disponibilizado a ajudar o Patrícia Pinheiro - Textos a ficar cada dia melhor e mais próximo de seus leitores!

O amor mora nos detalhes




















Não sei quanto a outros sentimentos, mas, falando de amor, não penso duas vezes antes de afirmar que, sim, ele se encontra nos detalhes. O amor está na tranquilidade que, muitas vezes, o outro nos traz apenas de fazer-se ali, presente, mesmo que em um cômodo distinto da casa. Nem sempre é questão de cheiro e toque; ele está também no impalpável, na cumplicidade invisível de um sentimento que não demanda excesso de palavras. Amar é também encontrar serenidade nos espaços e silêncios, é não precisar de provas diárias para lembrar-se de que se é totalmente idolatrado e aceito; mas carregar a paz e a certeza de uma entrega mútua que não permite dúvidas, pois é sentida em todos os lugares.

O amor está na telepatia, no conhecer o outro tão bem a ponto de antecipar suas palavras e pensamentos e, mesmo assim, sempre surpreender-se com a magia que é conectar-se tão profundamente com alguém a ponto de pronunciar frases sincronizadas, de ouvir o outro falar alguma coisa e pensar "nossa, eu ia falar exatamente a mesma coisa".

O amor está na falta, na saudade absurda que sentimos do sorriso torto, da textura de sua camiseta favorita, do cheiro do pescoço e do cabelo bagunçado do outro. É esquecer-se propositalmente de todas essas coisas só para se apaixonar novamente por elas no reencontro. O amor é reencontro. É uma constante mistura dolorida e gostosa de uma saudade daquilo que, muitas vezes, ainda nem aconteceu.

O amor está, também, não necessariamente no concordar, afinal, e, felizmente, sempre haverá discordâncias e opiniões divergentes. Um será mais "relax", tomará decisões precipitadas e impensadas e sempre irá adiar mais um pouquinho as consequentes preocupações, enquanto o outro será mais atento, meticuloso, sofrerá mais por antecedência do que por reais consequências. Mas, muito antes de compreensão, o amor está no respeito, na sensibilidade de saber ouvir mesmo que ainda assim não decida concordar, na não necessidade de mudar para agradar ou adequar-se ao outro; mas na liberdade de reinventar-se naturalmente, na tranquilidade de ser exatamente aquilo que se é.

O amor está em todos risos, ora tímidos, ora escandalosos; nos silêncios e também nos barulhos; nas pernas bambas e na força da união de dois corpos; no respirar tranquilo e também no não conseguir respirar; na coragem de incluir alguém nos seus planos, mesmo sabendo que amanhã já não seremos mais os mesmos; mas está, acima de tudo, exatamente no turbilhão de detalhes não denotáveis que surgem em nossas mentes quando alguém nos faz aquela difícil pergunta: "o que é o amor?"

Patrícia Pinheiro


Foto: cena do filme "Before Sunrise"

Texto publicado também nos seguintes sites: Casal Sem VergonhaRonaud.comPsiconline Brasil e CONTI outra.

Resultado do sorteio do livro " O Lado Bom da Vida"

Olá, pessoal!

Como as participações para o sorteio do livro se encerraram ontem, hoje venho com o resultado!

E a ganhadora de um exemplar do livro "O Lado Bom da Vida" é... (musiquinha de suspense)









Parabéns, Taynnara!

Estarei entrando em contato contigo ainda hoje para que possamos acertar os detalhes para o envio do prêmio.

Agradeço também a todos que participaram e fiquem de olho porque vem mais sorteio legal por aí!

Sorteio do livro "O Lado Bom da Vida"




Olá, gente!


Peço desculpas pelo sumiço temporário, mas volto com uma coisa que todo mundo gosta: sorteio!


Irei sortear um exemplar do livro "O Lado Bom da Vida", e, para participar, basta seguir estas três regrinhas bem simples:


- Curtir a fan page do blog no Facebook AQUI;

- Seguir o blog (basta ter uma conta no Google e clicar em "participar deste site", na lateral direita);
- Comentar na postagem avisando que está participando e informando seu e-mail para que eu possa entrar em contato caso você seja o vencedor.



O envio do prêmio fica sob minha responsabilidade e o sorteio será realizado no dia 23/07.



Boa sorte a todos!



É difícil não acreditar em feminismo



É difícil não acreditar em feminismo

Participo, no Facebook, de um grupo feminista no qual só é permitida a participação de mulheres. Trata-se, antes de tudo, de um espaço seguro que muitas encontram para compartilhar suas histórias, dúvidas e angústias. Um espaço onde se dá todo o tipo de troca entre mulheres dispostas a falar e aprender sobre feminismo.

Por achar que espaços como esse são extremamente necessários e enriquecedores, independentemente de participar de forma ativa ou não, procuro, sempre que possível, acompanhar o que está acontecendo por lá. Vejo inúmeros relatos pessoais de agressões físicas e/ou verbais, testemunhos de atos machistas cotidianos a que muitas mulheres são submetidas, bem como o compartilhamento de vitórias e coisas positivas.

Dentre esta pluralidade de trocas e atividades, especificamente uma me saltou aos olhos, me preencheu de emoção e otimismo e me impeliu a escrever este texto. Foi o seguinte: uma das participantes do grupo sugeriu que as demais escrevessem e compartilhassem todas as características físicas que adoram em si mesmas e, dentro de poucos segundos, um turbilhão de respostas começou a surgir.

Mulheres passaram a mostrar fotos de seus cabelos lisos e cacheados, curtos ou longos, e a dizer que não saberiam viver sem eles. Olhos penetrantes e verdadeiros, de todas as cores e tamanhos, sendo eleitos como parte favorita do corpo. Vi fotos de seios, de seios de verdade, seios que são amados justamente por sua tortidão e naturalidade. Cinturas, coxas e bundas não sendo julgadas, mas idolatradas.Predominaram afirmações como “Eu sou linda e gostosa”, “Meu rosto é tão perfeito que, toda vez me olho no espelho, eu penso, puta que pariu, eu casaria comigo!”.

Em uma sociedade em que ainda ditam regras sobre os nossos próprios corpos, em que esteriótipos e ideais insistem em moldá-los fazendo-nos sentir facilmente feias e diminuídas, iniciativas como esta chamam a atenção para a necessidade de mais espaço e voz para exatamente o que se viu ali: incentivo à aceitação e ao amor próprio, à empatia e à sororidade entre mulheres que, diferentemente de egoístas e competitivas, se fazem IRMÃS.

Diante de quaisquer meios como esse que se prestem a abrigar vozes que não diminuem, mas constroem; que não julgam, mas promovem amor e auto-aceitação, é difícil não compreender a necessidade constante da voz plural e libertadora da mulher, é difícil não acreditar em feminismo.

Patrícia Pinheiro

Texto publicado também nos seguintes sites: Blogueiras Feministas e Sociedade Racionalista

"Só é coragem se você tiver medo"


Tudo que a gente precisa, vez ou outra, é que a vida nos surpreenda.

É que, quando tudo está parado, quando dias se repetem por meses em uma sequência prevista de fatos, alguma peça se mexa, desorganizando todas as outras. 

O novo assusta, desassossega, aperta o estômago e acelera o ritmo cardíaco, e ,como de tudo que nos parece ameaçador, nossa tendência é fugir, poupar nossas energias optando pelo seguro, pelo previsível, pelo que não nos tira o sono.

No entanto, se algo te instiga, te preocupa tanto a ponto de te privar de noites de sono, é porque, de alguma forma, você está vivendo.

Se você está cheio de feridas, significa que foi corajoso o suficiente para se expor a elas ou para continuar vivendo buscando uma forma de sará-las ou de conviver com elas.

Aquele que muito se protege dificilmente será ferido, mas, certamente, pouco terá vivido.

Lembro de uma passagem que me marcou bastante de um filme ao qual assisti há um tempo atrás que dizia: "Só é coragem se você tiver medo".

Não é covardia desistir quando as coisas estão difíceis, estão sugando sua energia e lhe fazendo infeliz. Isso é inteligência.

Covarde, penso eu, é aquele que não se deixa surpreender, não se abre para o novo pelo medo do desconhecido. É quando o medo de sofrer é maior que a coragem de ser feliz.

Meu maior medo, acredite, ainda é o de não sentir medo algum.



Patrícia Pinheiro



Texto publicado também no site Psiconline Brasil.

#Eu não mereço ser estuprada e nem calada


Nos últimos dias, abrindo as redes sociais, o que mais vemos são fotos de mulheres de todas as idades, sozinhas ou em família, mas todas carregando em um papel ou em seus corpos o seguinte dizer: "Eu não mereço ser estuprada."


Abordando o assunto com outras pessoas e analisando a repercussão na própria mídia, vejo muitos diminuindo o movimento, alegando ser apenas oportunismo os muitos corpos nus que protestam. Pode ser que, em muitos casos, realmente seja. Não sou hipócrita o suficiente a ponto de afirmar que todas as pessoas, sejam mulheres ou homens, que estão reivindicando, o estão fazendo de forma genuína. Acredito que realmente haja muito oportunismo, modismo, ou como você decidir chamar. Nem todos estão verdadeiramente preocupados em mudar alguma coisa. Mas não acredito que isso seja importante e, muito menos, digno de ser usado como argumento para desconstruir o que está sendo construído.

Penso que, antes de perdermos tempo nos atentando aos motivos únicos que levam cada uma dessas mulheres a mostrar a cara e o corpo e afirmar que não merecem ser estupradas, deveríamos usar todo esse movimento e as discussões ricas que ele vem proporcionando para ampliar e enriquecer nossa visão acerca das questões de gênero.

Que, ao invés de apenas questionarmos a validade da pesquisa que deu origem a estas reivindicações, tenhamos em mente que, independentemente do resultado e do que muitos pensam a respeito do tamanho de nossas roupas, o estupro continua acontecendo e que todo e qualquer motivo e espaço que nos convide a falar sobre, nunca deixará de ser válido e construtivo.

Seja compartilhando fotos ou experiências ou apenas o acompanhando, que possamos enxergar e compactuar com toda a positividade que este movimento vem trazendo junto consigo. Que haja menos atenção aos detalhes e mais abertura e ouvidos para tudo aquilo que precisa e merece ser dito. Que se fale da maneira que for, pelo motivo que for, mas que se fale. Qualquer voz é melhor do que o silêncio. Não merecemos ser estupradas e cansamos de permanecer caladas.

Patrícia Pinheiro 

Texto publicado também no Blogueiras Feministas, Portal Africas, Sociedade Racionalista e no jornal Diário de Santa Maria.