Vai mesmo, gordinha Difícil não acreditar no feminismo O sutiã cor de rosa Eu não merecia ser estuprada Afinal, o que querem as mulheres O amor mora nos detalhes

Boas Festas?



E a época das festas que marcam o findar de mais um ano, embora sempre fique, ao menos para mim, a estranha sensação de que o último natal aconteceu há apenas alguns dias atrás, está se aproximando.

Em vez de me proporcionar apenas alegria e entusiasmo, devo confessar que as luzes e papais noéis espalhados pela cidade, parecem mexer com os meus sentimentos de uma forma um pouco estranha.

Não sei ao certo o porquê do desconforto e da certa melancolia que essa época do ano me traz.Seria pela comercialização de algo que, supostamente, deveria ser motivo de reflexão? Não seria hipócrita a ponto de dizer que sim, pois presentear e ser presenteada ainda me alegra da mesma maneira que quando eu tinha 7 anos de idade.

Acho que o problema está no conjunto de pequenas imposições que foram, ao longo do tempo, socialmente construídas e que fazem, ainda que disfarçadamente, parte destas datas.

É a ceia de natal em que o chester, as frutas e os fios de ovos jamais podem faltar, e a festa de ano novo com taças cheias de champagne ao som de fogos de artifício.

Não que tudo isso não seja importante. Acredito que quaisquer motivos que sirvam para aproximar familiares, renovar e estreitar a intimidade das relações e trazer o mínimo de alegria e esperança, sejam totalmente válidos e justificáveis por si só.

Aqueles que podem e sentem prazer em honrar tais tradições, tem mais é que o fazer. Devem mesmo investir e procurar por tudo aquilo que lhes traga à tona sentimentos bons.

A questão é que, sinto que somos ensinados a crer que tudo que foge a estes padrões, não é mágico, não é completo e muito menos feliz.

Me pergunto se as guirlandas impecavelmente penduradas nas portas de algumas pessoas não estão lá unicamente pelo fato de que os seus vizinhos também as têm.

E, nessa obrigação de sermos felizes, me preocupo com aqueles que acabam, não de forma genuína, mas por pura influência externa, automaticamente priorizando os comes e bebes e a quantidade de pessoas que estarão ao seu redor e esquecendo de relaxar, de curtir aquilo que realmente é importante para eles, de prolongar o abraço.

Talvez, se não despejássemos nessas datas uma importância maior do que a que depositamos no restante de nossos dias, a saudade dos que já partiram e a tristeza da menina que não pôde ganhar um presente porque os pais não tinham condições de comprar, seriam menores.

Se, ao contrário, pegássemos essa necessidade de abundância, de estar perto, de confraternizar e dizer palavras bonitas, e buscássemos aplicá-la também ao nosso cotidiano, as pobres das datas festivas não carregariam tamanha responsabilidade, o estômago não seria o único a ficar cheio e os fogos brilhariam no olhar das pessoas.

Patrícia Pinheiro

A Casa Amarela

            Foto original da casa amarela


Na década de 90, aproximadamente 2 anos após o meu nascimento, minha mãe e, meu pai, convencido pelos argumentos dela de que uma criança precisa de pátios para brincar, decidiram que, pelo bem da minha infância, deveriam colocar para alugar o apartamento pelo qual ainda pagavam com esforço e partir em busca de uma casa.

Mal eu sabia que, a menos de uma quadra de distância dali, a casa amarela me esperava.

No gramado da casa amarela, eu dei pão velho aos passarinhos, juntei gravetos na esperança de construir uma casa, vendi amostras grátis de perfumes para quem passasse pela calçada. 

Em seus aposentos, perdi meus primeiros dentes, ganhei minhas primeiras cicatrizes, lutei contra barulhos e monstros até ser capaz de adormecer sem medo.

Em cada um de seus aposentos, fui descobrindo pedacinhos da vida, inventando pedacinhos de mim.

Atualmente, ao passar por ali, não consigo ver a casa amarela. 

Não a vejo porque ela foi minha infância, eu é que a criei, que a alucinei, que a misturei com a maior dose de magia que a vida dá.

Talvez seja por isso que, hoje, eu só consiga realmente vê-la em meus sonhos.

Patrícia Pinheiro

Amadurecer




Muitas pessoas enxergam na capacidade de cozinhar, lavar, passar e administrar uma casa sozinho, um sinal de amadurecimento. "Olha só, fulano está tendo que se virar por conta própria, está amadurecendo".

Não se pode negar que a independência é um importante passo quando se fala em maturidade, mas a última é, a meu ver, algo ainda muito maior; algo quase subjetivo.

Você sabe que está amadurecendo quando opta por dormir no sofá da sala para não incomodar sua mãe de madrugada com a luz do computador ligado e barulhos de porta batendo. Quando a preocupação com a saúde dela lhe torna chato e questionador.

Amadurecer é tornar-se um pouquinho mãe de sua mãe e pai de seu pai.

Você sabe que está amadurecendo quando não deixa uma nota ruim ou uma pessoa amarga acabar com a sua paz de espírito.

Amadurecer é também ter experimentado sofrimento suficientemente verdadeiro para nos fazer capaz de aumentar diariamente o seu limiar. É concluir que o otimismo pode até nem sempre ajudar, mas nunca há de atrapalhar.

Esqueça o banheiro limpo e o dia a dia impecavelmente organizado. De nada adianta ter uma casa brilhante e o sucesso profissional, se você não dá bom dia para o porteiro e economiza palavras com seu companheiro/a.

Amadurece aquele espera sua vez de falar; que genuinamente se coloca no lugar do outro; que não tem medo de aprender, mudar de opinião, errar e voltar atrás.

Amadurece, enfim, aquele que passa a viver de olhos e ouvidos bem abertos; que se permite sofrer e sensibilizar pelas experiências; esvaziar-se para ser capaz de ficar cheio novamente, e que, quando transborda, jamais deixa de tentar encher outros copos.

Patrícia Pinheiro

O Desconhecido



Sabe, um dia desses, em um desses momentos únicos, em que mergulhamos na infinitude de nossos pensamentos e parecemos esquecer do resto do mundo, minha mente me faz a seguinte pergunta: o que dá sentido a vida?

O que nos faz ter a vontade de levantar todo dia pela manhã e abrir a janela, mesmo quando o sol insiste em não aparecer?

Talvez seja uma ousadia, e até mesmo bobagem da minha parte tentar desvendar esse mistério, mas acredito que a resposta dessa pergunta pode ser resumida em apenas uma palavra: o desconhecido.

Já parou para pensar se nossa vida fosse um livro escrito, a partir do qual teríamos acesso não só aos grandes, como aos pequenos acontecimentos de nosso dia a dia?

Sendo assim, você levaria o guarda chuva ao sair de casa, pois saberia que a chuva viria, mas não desfrutaria da sensação única que é sentir ela escorrendo pelo seu corpo.

Você não tomaria as decisões erradas, mas também não teria a chance de adquirir o amadurecimento que, muitas vezes, só elas são capazes de nos fornecer.

Você não escolheria se apaixonar e se envolver com alguém que, segundo seu livro, irá te fazer sofrer, porém não traria consigo lindas lembranças dos momentos que dividiram juntos.

Mas não. Felizmente não é assim. Somos convidados cada dia a ir deitar sem saber o que esperar do dia de amanhã.

E é isso, esse total mistério e infinitude de possibilidades que nos dá, se não o sentido, a vontade de viver.

Tudo bem, a vida pode até ser um livro, mas somos nós que pegamos o lápis e o preenchemos a cada dia com nossas constantes descobertas daquilo que, até então, era desconhecido.


Patrícia Pinheiro

Inaugurando!

Olá, gente!

Minha última semana foi toda dedicada a pensar sobre e planejar este blog, mais um objetivo que agora se concretiza 

Usarei esse espaço, assim como na página que mantenho no Facebook, para compartilhar com vocês meus textos.

Porém, acredito que, o blog, por possuir maior espaço e multiplicidade de possibilidades, tende a facilitar e qualificar a exposição do meu trabalho e o contato com o público.

Tentarei disponibilizar conteúdo por aqui frequentemente, por isso, peço que visitem, comentem deixando opinião e, se gostarem do meu trabalho, ajudem a divulgá-lo da forma que puderem!

Desde já fico muito grata a todos que, de alguma forma, contribuíram para que esse espaço fosse criado e, principalmente, àqueles que prestigiam "em voz alta" o que escrevo, isso é o que me motiva a continuar fazendo o que amo!

Beijos,

Patrícia Pinheiro