Vai mesmo, gordinha Difícil não acreditar no feminismo O sutiã cor de rosa Eu não merecia ser estuprada Afinal, o que querem as mulheres O amor mora nos detalhes

Quem constrói trilhos sabe da existência dos trens











Cena do filme “Sob o sol da Toscana”
Recentemente, em uma das aleatórias e proveitosas conversas que sempre tenho com um amigo meu,
para exemplificar como suas crenças funcionam, ele compartilhou comigo o seguinte fato pessoal: “Sabe, Pati, sempre que eu vou tomar banho, eu lavo bem cada parte do meu corpo – inclusive a orelha -, não só porque gosto de higiene, mas porque penso que, por mais improvável que seja, nunca se sabe quando alguém vai querer beijá-la.”

Pode parecer algo bobo, mas, com isso, ele me mostrou que, apesar da preguiça – que sempre é potencializada pela desmotivação advinda das grandes chances de nossos esforços se mostrarem “inúteis” – ele não deixa de dar minuciosa atenção a algo que poderá vir a garantir-lhe alguma forma de satisfação; ele não deixa de acreditar na possibilidade e garante, todo dia, que tudo seja feito para que se dê o sorriso mais aberto quando a vida também lhe sorrir.

É o que fazemos ao começarmos a estudar para aquele concurso impossível; ao capricharmos no visual para ir até o mercadinho da esquina; ao lembrarmos ao vô com Alzheimer quem somos e o quanto o amamos. A gente inventa desejos, grandes ou pequenos, e, antes mesmo que se tenha caneta e papel, os desenhamos através da fé e dedicação diárias; das saudáveis doses de otimismo que nos movem a seguir traçando linha por linha, ainda que se saiba que, ao final, tudo pode virar um grande rabisco.

No filme “Sob o Sol da Toscana”, quando a personagem principal desabafa com seu amigo, se questionando sobre o propósito de estar dedicando tanto tempo para reformar sua nova casa se não haveria ninguém com quem dividi-la – e seu sonho era construir uma família ali -, ele responde: “Entre a Áustria e a Itália, há uma parte dos Alpes chamada Semmering. É uma parte incrivelmente difícil de subir, um local muito alto das montanhas. Eles construíram um trilho nestes Alpes para ligar Viena e Veneza, mesmo antes de existir um trem que pudesse fazer a viagem. Mas eles construíram porque sabiam que, algum dia, o trem chegaria.”

É claro que, como em toda boa comédia romântica, o trem dela chegou: ela não só encontrou o parceiro dos sonhos como preencheu a casa de festas e amigos. No mundo real, sabemos que não é bem assim. A gente inventa e reinventa desejos, quebramos a cara e, por vezes, descobrimos felicidade naquilo que nem fazia parte do roteiro.

Mas o importante é que, desde que saibamos descartar aquilo que não nos acrescenta e que não façamos – ativamente – mal a ninguém, possamos carregar serenidade suficiente para encontrarmos felicidade no processo – afinal, SOMOS processo; motivação para não perdermos o encanto dos detalhes e construirmos trilhos, ainda que não tenha um trem para passar; e, acima de tudo, o otimismo necessário para que estejamos abertos e prontos para colher todas as felizes aleatoriedades da vida.

Patrícia Pinheiro

“Amor Pleno”, um filme para ver de coração bem aberto

Há alguns meses, uma amiga querida me procurou e sugeriu que eu assistisse ao filme “Amor Pleno”, alegando que poderia servir de grande inspiração para os meus textos. “Assista com o coração bem aberto”, disse ela. Logo deduzi que se trataria de um filme diferente.

Eu não estava enganada. O filme não conta com uma sequência linear de fatos e diálogos organizados, como estamos acostumados a ver as histórias sendo contadas; ele é quase um poema. As falas, apesar de raras, são carregadas de significado e passíveis de diversas interpretações, e os gestos, por vezes repetitivos e entediantes como a vida, transbordam verdade.

Uma cena, especificamente, me tocou e permaneceu por dias na minha mente: Marina (Olga Kurylenko) jogava-se, de costas, nos braços de seu companheiro, interpretado por Ben Affleck. Observava-se, quando ela abria bem os braços e se deixava cair, a adrenalina e o medo em seu rosto, em seus olhos que se fechavam como quem espera, num misto de temor e êxtase, o que está por vir, seguidos do riso largo que enfeitava seu semblante agora tranquilo quando, em meio ao nada, braços firmes a seguravam com força.

Não pude deixar de perceber que, em uma simples brincadeira, enxerga-se tanto do que é o amor: a insana coragem de abrirmos mão de algumas defesas e seguranças e, ainda que saibamos o quão cruel é a dor da queda, nos jogarmos – no escuro e de braços bem abertos – em direção ao chão, simplesmente por acreditarmos que o outro estará lá para nos segurar; por carregarmos a fé daqueles que sabem-se amados, que sabem que não há mal no mundo capaz de atingi-los enquanto houver as mãos firmes e amortecedoras esperando do outro lado.

Nosso equilíbrio e força para nos mantermos em pé vêm – e devem vir – das nossas próprias pernas, as únicas que, ainda que fraquejantes, jamais nos trairão. Mas, por vezes, é necessário que nos joguemos.

Nos jogamos, quando, na doença, permitimos que alguém cuide das nossas necessidades essenciais. Nos jogamos ao dividir nossas dores com alguém. Nos jogamos ao permitir que outras vidas segurem as nossas e as embalem no colo.

Quando nossos corpos estiverem cansados demais para caminhar, que ainda existam outros que, capazes ou não de nos carregar, nos confortem e renovem apenas ao proporcionar a serenidade do confiar; a paz que é poder andar ao lado de alguém de olhos fechados, sem medo de cair.

Patrícia Pinheiro

Texto publicado também no CONTI outra artes e afins.

Fragmentos de felicidade



Esses dias, enquanto tomava banho – ainda não inventaram lugar tão acolhedor e estimulante de pensamentos geniais quanto o chuveiro – apesar de ter tido um dia meio esquisito e estar com a cabeça cheia de preocupações, me dei conta do quanto estava feliz por estar ali, sentindo a água quente escorrer pelo meu corpo e o cheirinho doce do sabonete entrar pelas minhas narinas. Eu não precisava de mais nada, sabe?

Concluí que a felicidade se encontra aí: nos pequenos prazeres fugazes.

Na cobertura glaceada de limão que combina perfeitamente com o bolo de baunilha e que alegra o meu paladar.

Na criança que olha fixamente para mim, sem medo do que eu vou pensar, e sorri demorado.

No cheiro do perfume do outro que fica na roupa, que fica na pele, que causa um friozinho gostoso na barriga ao testemunhar que alguém esteve ali.

Nas longas e renovadoras conversas que temos com alguém.

Na cama depois do dia longo.

No abraço depois da saudade.

São momentos intensos de leveza, de plenitude, de uma lucidez que, de tão rara, é quase assustadora. O medo não deixa de existir, os problemas ainda esperam pelas tuas soluções, mas, por uma fração de tempo – que pode caber dentro de um abraço ou de uma noite – o mundo passa a residir ali: na gotícula avassaladora de felicidade, que a gente sabe que é passageira, mas que nos faz gratos por estarmos vivos.

Quando penso que as injeções de felicidade têm efeito passageiro, lembro que, as de dor, também, e que, enquanto houver pequenices capazes de elucidar coisas boas e de me entorpecer – ainda que por segundos – de alegria, tenho motivos suficientes para preservar o otimismo, para , ainda que a dor esteja agindo, me jogar no mundo com toda sensibilidade que cabe em mim, pois sei que ainda existem muitas overdoses de felicidade me esperando. Sobrevivo e aguardo pelas próximas, pois, até hoje, todas valeram a pena.

Patrícia Pinheiro

Texto publicado também no CONTI outra artes e afins.

Internidades - Cáh Morandi

Hoje, venho compartilhar com vocês um pouquinho sobre o livro maravilhoso que a Editora Penalux gentilmente me cedeu: Internidades, de Cáh Morandi.



Internidades é um livro de 126 páginas recheadas de curtas poesias que transbordam sentimento e que nos encantam pela naturalidade e beleza transmitidas pelas palavras.

Uma degustação do que vocês encontram no livro:






Cah Morandi é de Florianópolis - SC e, além de uma incrível poeta, é, também, cronista.

Vocês podem conhecer mais sobre o trabalho dela acessando seu site pessoal: http://www.cahmorandi.com/


Fica, aqui, minha enorme recomendação para a leitura do livro. Ele já está em pré-venda no site da Editora Penalux e você pode adquiri-lo através do link: http://www.editorapenalux.com.br/loja/product_info.php…

Abraços!


Aos leitores de olhares



Todos nós, em algum momento da vida, independente de qual seja a causa, passamos por momentos difíceis. São aqueles dias em que a vida perde a cor, o mundo lá fora é assustador, mas viver dentro dos nossos próprios corpos também é. São os dias em que gostaríamos de sumir, mas não temos para onde; em que gostaríamos que alguém nos abraçasse e pudesse simplesmente captar e entender toda toda a tortura e agonia que explode dentro de nós, assim, sem que precisemos dizer uma palavra.

Ultimamente, dados alguns acontecimentos que não poderiam me deixar de outra forma, tenho estado "nesses dias". Comer é um sufoco. Sair de casa é um sufoco. Falar sobre os meus sentimentos? Dificílimo. Visto o melhor sorriso que consigo, cubro as olheiras com maquiagem e saio por aí fazendo o necessário. Exceto pela perda de peso que sempre denuncia que as coisas não vão muito bem comigo, eu engano direitinho. Alguns dias são melhores; noutros, levantar da cama é missão impossível, mas, como sou mestre em ocultar sentimentos - ainda que não o faça de forma voluntária - poucos parecem notar a diferença.

Mas, recentemente, um amigo que eu e minha mãe fizemos em uma de nossas andanças pelo shopping - uma daquelas raras pessoas que ainda carregam sorrisos de criança e que parecem ter nascido com a função de ser anjo para aqueles que precisam - me chamou a atenção ao acertar, por vários dias seguidos, antes mesmo que eu tivesse tempo de esmiuçar qualquer expressão facial ou dizer alguma palavra, como estava o meu estado de espírito: "Patrícia, hoje tu não tá muito bem, né?" "Olha, tô feliz de te ver, hoje tu estás bem!"

Comecei a ficar intrigada, resolvi até testá-lo. Num determinado dia em que nos encontramos, não estava me sentindo muito bem, mas, mesmo assim, propositalmente caprichei no sorriso e na empolgação ao cumprimentá-lo e, para minha surpresa, ele olhou demoradamente para o meu rosto e concluiu: "Patrícia, não gostei do que vi, tu não estás bem!" Bruxaria? Leitura de pensamentos? A curiosidade estava me matando e decidi perguntar: "Caca, qual é o segredo? Como tu sempre adivinha se eu estou ou não bem?" "É simples, Patrícia" - ele respondeu "Quando tu estás feliz, teus olhos brilham".

Isso não saiu mais da minha cabeça. Em tempos de sensibilidade minguada, de olhares que fogem uns dos outros e que passam mais tempo voltados para telas de celulares, me descobri perplexa e comovida ao constatar que ainda existem leitores de olhares. Mal eu sabia que meus olhos me denunciavam. Talvez eles tivessem a espera de outros que ainda preservassem suficiente inocência para serem capazes de ver o que ninguém mais vê, de enxergar os brilhos que são visíveis apenas a almas nuas.

Graças a ele, agora sei o que perseguir, agora tenho um medidor de felicidade mais genuíno do que qualquer riso espontâneo que os meus lábios possam vir a formar; agora sei que, ainda que eu tenha conhecido a escuridão, meus olhos sempre serão capazes de brilhar e que, quando isso acontecer, terei a certeza de que haverá alguém no mundo apenas esperando para dizer: "Nunca perca esse brilho".

Patrícia Pinheiro


Resultado do sorteio: Anjos à mesa e Se eu ficar

Olá, gente!

Já temos o resultado do sorteio que fiz em parceria com a minha amiga Nina, do Nina é uma!

As ganhadoras foram: Luiza Maia Uzal e Gothic Owl (Pérola Negra)
Parabéns, meninas!

A Nina já entrou em contato com vocês e o prazo para responder o e-mail é até sexta-feira que vem!


Ficamos muito felizes com o grande número de participações e, fiquem sempre ligados, pois mais sorteios vêm por aí!

Sorteio Literário: "Anjos à mesa" e "se eu ficar"



Oi, gente!

Tem sorteio novo no blog e, dessa vez, é em parceria com o blog Nina é uma, da minha amiga Nina Spim.

Os prêmios serão dois livros: o primeiro ganhador leva Anjos à mesa, e o segundo, Se eu ficar.

1. Seguir publicamente OS DOIS blogs (lembrando que quem não estiver seguindo será automaticamente desclassificado e que não é necessário ter um blog para tal feito).
2. Seguir os passos do Rafflecopter (não é necessário fazer todos, mas quanto mais vocês fizerem mais chances têm de ganhar).
3. O sorteio começa dia 01/10 à meia-noite e termina dia 01/11, à meia-noite (do dia 31 para o dia 1/11).
4. Os vencedores têm até cinco dias úteis para entrar em contato pelo e-mail mundodanina@gmail.com
5. Os livros serão enviados para os ganhadores até uma semana depois do encerramento do sorteio (lembrando que eu fico responsável por Anjos à mesa, e, e Nina, por Se eu ficar).


* Link do Google+ a ser seguido como chance extra: https://plus.google.com/+NinaeumaBlogspot1


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