Vai mesmo, gordinha Difícil não acreditar no feminismo O sutiã cor de rosa Eu não merecia ser estuprada Afinal, o que querem as mulheres O amor mora nos detalhes

Fragmentos de felicidade



Esses dias, enquanto tomava banho – ainda não inventaram lugar tão acolhedor e estimulante de pensamentos geniais quanto o chuveiro – apesar de ter tido um dia meio esquisito e estar com a cabeça cheia de preocupações, me dei conta do quanto estava feliz por estar ali, sentindo a água quente escorrer pelo meu corpo e o cheirinho doce do sabonete entrar pelas minhas narinas. Eu não precisava de mais nada, sabe?

Concluí que a felicidade se encontra aí: nos pequenos prazeres fugazes.

Na cobertura glaceada de limão que combina perfeitamente com o bolo de baunilha e que alegra o meu paladar.

Na criança que olha fixamente para mim, sem medo do que eu vou pensar, e sorri demorado.

No cheiro do perfume do outro que fica na roupa, que fica na pele, que causa um friozinho gostoso na barriga ao testemunhar que alguém esteve ali.

Nas longas e renovadoras conversas que temos com alguém.

Na cama depois do dia longo.

No abraço depois da saudade.

São momentos intensos de leveza, de plenitude, de uma lucidez que, de tão rara, é quase assustadora. O medo não deixa de existir, os problemas ainda esperam pelas tuas soluções, mas, por uma fração de tempo – que pode caber dentro de um abraço ou de uma noite – o mundo passa a residir ali: na gotícula avassaladora de felicidade, que a gente sabe que é passageira, mas que nos faz gratos por estarmos vivos.

Quando penso que as injeções de felicidade têm efeito passageiro, lembro que, as de dor, também, e que, enquanto houver pequenices capazes de elucidar coisas boas e de me entorpecer – ainda que por segundos – de alegria, tenho motivos suficientes para preservar o otimismo, para , ainda que a dor esteja agindo, me jogar no mundo com toda sensibilidade que cabe em mim, pois sei que ainda existem muitas overdoses de felicidade me esperando. Sobrevivo e aguardo pelas próximas, pois, até hoje, todas valeram a pena.

Patrícia Pinheiro

Texto publicado também no CONTI outra artes afins.

Internidades - Cáh Morandi

Hoje, venho compartilhar com vocês um pouquinho sobre o livro maravilhoso que a Editora Penalux gentilmente me cedeu: Internidades, de Cáh Morandi.



Internidades é um livro de 126 páginas recheadas de curtas poesias que transbordam sentimento e que nos encantam pela naturalidade e beleza transmitidas pelas palavras.

Uma degustação do que vocês encontram no livro:






Cah Morandi é de Florianópolis - SC e, além de uma incrível poeta, é, também, cronista.

Vocês podem conhecer mais sobre o trabalho dela acessando seu site pessoal: http://www.cahmorandi.com/


Fica, aqui, minha enorme recomendação para a leitura do livro. Ele já está em pré-venda no site da Editora Penalux e você pode adquiri-lo através do link: http://www.editorapenalux.com.br/loja/product_info.php…

Abraços!


Aos leitores de olhares



Todos nós, em algum momento da vida, independente de qual seja a causa, passamos por momentos difíceis. São aqueles dias em que a vida perde a cor, o mundo lá fora é assustador, mas viver dentro dos nossos próprios corpos também é. São os dias em que gostaríamos de sumir, mas não temos para onde; em que gostaríamos que alguém nos abraçasse e pudesse simplesmente captar e entender toda toda a tortura e agonia que explode dentro de nós, assim, sem que precisemos dizer uma palavra.

Ultimamente, dados alguns acontecimentos que não poderiam me deixar de outra forma, tenho estado "nesses dias". Comer é um sufoco. Sair de casa é um sufoco. Falar sobre os meus sentimentos? Dificílimo. Visto o melhor sorriso que consigo, cubro as olheiras com maquiagem e saio por aí fazendo o necessário. Exceto pela perda de peso que sempre denuncia que as coisas não vão muito bem comigo, eu engano direitinho. Alguns dias são melhores; noutros, levantar da cama é missão impossível, mas, como sou mestre em ocultar sentimentos - ainda que não o faça de forma voluntária - poucos parecem notar a diferença.

Mas, recentemente, um amigo que eu e minha mãe fizemos em uma de nossas andanças pelo shopping - uma daquelas raras pessoas que ainda carregam sorrisos de criança e que parecem ter nascido com a função de ser anjo para aqueles que precisam - me chamou a atenção ao acertar, por vários dias seguidos, antes mesmo que eu tivesse tempo de esmiuçar qualquer expressão facial ou dizer alguma palavra, como estava o meu estado de espírito: "Patrícia, hoje tu não tá muito bem, né?" "Olha, tô feliz de te ver, hoje tu estás bem!"

Comecei a ficar intrigada, resolvi até testá-lo. Num determinado dia em que nos encontramos, não estava me sentindo muito bem, mas, mesmo assim, propositalmente caprichei no sorriso e na empolgação ao cumprimentá-lo e, para minha surpresa, ele olhou demoradamente para o meu rosto e concluiu: "Patrícia, não gostei do que vi, tu não estás bem!" Bruxaria? Leitura de pensamentos? A curiosidade estava me matando e decidi perguntar: "Caca, qual é o segredo? Como tu sempre adivinha se eu estou ou não bem?" "É simples, Patrícia" - ele respondeu "Quando tu estás feliz, teus olhos brilham".

Isso não saiu mais da minha cabeça. Em tempos de sensibilidade minguada, de olhares que fogem uns dos outros e que passam mais tempo voltados para telas de celulares, me descobri perplexa e comovida ao constatar que ainda existem leitores de olhares. Mal eu sabia que meus olhos me denunciavam. Talvez eles tivessem a espera de outros que ainda preservassem suficiente inocência para serem capazes de ver o que ninguém mais vê, de enxergar os brilhos que são visíveis apenas a almas nuas.

Graças a ele, agora sei o que perseguir, agora tenho um medidor de felicidade mais genuíno do que qualquer riso espontâneo que os meus lábios possam vir a formar; agora sei que, ainda que eu tenha conhecido a escuridão, meus olhos sempre serão capazes de brilhar e que, quando isso acontecer, terei a certeza de que haverá alguém no mundo apenas esperando para dizer: "Nunca perca esse brilho".

Patrícia Pinheiro


Resultado do sorteio: Anjos à mesa e Se eu ficar

Olá, gente!

Já temos o resultado do sorteio que fiz em parceria com a minha amiga Nina, do Nina é uma!

As ganhadoras foram: Luiza Maia Uzal e Gothic Owl (Pérola Negra)
Parabéns, meninas!

A Nina já entrou em contato com vocês e o prazo para responder o e-mail é até sexta-feira que vem!


Ficamos muito felizes com o grande número de participações e, fiquem sempre ligados, pois mais sorteios vêm por aí!

Sorteio Literário: "Anjos à mesa" e "se eu ficar"



Oi, gente!

Tem sorteio novo no blog e, dessa vez, é em parceria com o blog Nina é uma, da minha amiga Nina Spim.

Os prêmios serão dois livros: o primeiro ganhador leva Anjos à mesa, e o segundo, Se eu ficar.

1. Seguir publicamente OS DOIS blogs (lembrando que quem não estiver seguindo será automaticamente desclassificado e que não é necessário ter um blog para tal feito).
2. Seguir os passos do Rafflecopter (não é necessário fazer todos, mas quanto mais vocês fizerem mais chances têm de ganhar).
3. O sorteio começa dia 01/10 à meia-noite e termina dia 01/11, à meia-noite (do dia 31 para o dia 1/11).
4. Os vencedores têm até cinco dias úteis para entrar em contato pelo e-mail mundodanina@gmail.com
5. Os livros serão enviados para os ganhadores até uma semana depois do encerramento do sorteio (lembrando que eu fico responsável por Anjos à mesa, e, e Nina, por Se eu ficar).


* Link do Google+ a ser seguido como chance extra: https://plus.google.com/+NinaeumaBlogspot1


a Rafflecopter giveaway

Resultado do sorteio em parceria com a Editora Penalux

Olá, gente!
Conforme combinado, venho informar o resultado do sorteio em parceria com a Editora Penalux.
A sortuda, que vai ganhar um exemplar do livro "O Lugar da Espera", é: Fefa Sol!

1 – Arlete Magalhães
2 – Carolina Gama
3 – Fefa Sol
4 – Juliana Oliveira
5 – Júlia Fortes

Parabéns, Fefa!

Agradeço a participação de todos e fiquem atentos porque logo vem mais sorteio por aí!

Vai mesmo, gordinha!

      Foto de Liora K e Jes Baker. Parte do projeto fotográfico “EXPOSE: SHEDDING LIGHT ON COLLECTIVE BEAUTY”,         que busca mostrar a beleza de mulheres comuns e reais.

Lendo o texto que Mariliz Pereira José escreveu para a Folha: “Vai, gordinha”, admito que me senti incomodada. Por se tratar de um veículo de informação com tamanha visibilidade, me entristece e me preocupa ver uma gordinha que se exercita sendo comparada, nas palavras da cronista, a “um queijo provolone amarrado se desmanchando”.

Ao dar uma proporção gigantesca aos 7 quilos que adquiriu em um ano, a autora confessa que toma banho à luz de velas para evitar visualizar o próprio corpo, se auto intitula uma “gordinha esperta” por saber vestir-se de forma a parecer mais magra, além de afirmar que se submete à atividades físicas que detesta. Não pretendo aqui, de forma alguma, atacar a escritora ou desmerecer seu trabalho, mas, analisando sua abordagem, percebe-se que, durante todo o texto, a pessoa “gordinha” é associada, unicamente, a algo negativo, indesejado e digno de compaixão, o que é, a meu ver, totalmente problemático.

Ao mostrar seu sofrimento para adequar-se aos padrões de beleza, a autora, ao invés de utilizar a exposição de suas próprias vivências como uma forma de criticar e questionar tais construções, peca ao fazer exatamente o oposto: reforçá-las. Mas, cara Mariliz, sei que você não tem intenções de promover o ódio e o preconceito, já vi muitas mulheres fazendo comentários como os seus. Sinto que muitas vezes, nós mulheres, estamos apenas reproduzindo o que nos foi ensinado desde pequenas: criticar mulheres por suas formas físicas.

Mariliz, entendo que a beleza não conhece formas, que não é medida em quilos. Ela reside, ao contrário, exatamente na tranquilidade de ser exatamente aquilo que nós mesmas quisermos ser; e jamais no que é moldado pela opinião alheia. Eu também me solidarizo com a gordinha que está lá suando na esteira, seja por qual motivo for, porque acredito que ela está disposta a mudar, de ver a vida de outras formas. Coisa que talvez o seu amigo que não gosta de gordinhas ou mesmo você que não gosta de regatas parecem não estar.

Hábitos saudáveis de vida são importantes e devem, sim, ser estimulados, mas tão importante quanto é que possamos definir claramente nossos próprios interesses e metas para que elas jamais se confundam com aquelas que, desde muito cedo, acabam construindo para nós. E é por isso que não podemos fechar os olhos para a reprodução da gordofobia que, de alguma forma, se encontra presente em suas palavras; é preciso que, apesar de todos termos direito à preferências pessoais, se lute contra a imposição do que é “bonito” e do que é “feio”, se lute contra discursos que possam denegrir o outro.

Por isso, Mariliz, desejo profundamente que, com 7 quilos a mais ou a menos, você possa se sentir bem com o seu próprio corpo; que nunca venha a sofrer de dor lombar, mas que não deixe de comer pizza com seus amigos para comemorar as coisas boas; que use roupas que te fazem sentir linda, mas que jamais abdique do seu conforto; que tome banho pelada, com um espelho na frente e com todas as luzes da casa acesas para poder se lembrar todos os dias do quão poderosa você é; e que, quando for capaz de se sentir incondicionalmente linda e LIVRE, passe a encorajar todas as gordinhas e magrinhas a fazerem o mesmo. Vai mesmo, gordinha! Vai mesmo, mulher!