#Eu não mereço ser estuprada e nem calada

# Eu não mereço ser estuprada e nem calada

Nos últimos dias, abrindo as redes sociais, o que mais vemos são fotos de mulheres de todas as idades, sozinhas ou em família, mas todas carregando em um papel ou em seus corpos o seguinte dizer: "Eu não mereço ser estuprada."

Abordando o assunto com outras pessoas e analisando a repercussão na própria mídia, vejo muitos diminuindo o movimento, alegando ser apenas oportunismo os muitos corpos nus que protestam. Pode ser que, em muitos casos, realmente seja. Não sou hipócrita o suficiente a ponto de afirmar que todas as pessoas, sejam mulheres ou homens, que estão reivindicando, o estão fazendo de forma genuína. Acredito que realmente haja muito oportunismo, modismo, ou como você decidir chamar. Nem todos estão verdadeiramente preocupados em mudar alguma coisa. Mas não acredito que isso seja importante e, muito menos, digno de ser usado como argumento para desconstruir o que está sendo construído.

Penso que, antes de perdermos tempo nos atentando aos motivos únicos que levam cada uma dessas mulheres a mostrar a cara e o corpo e afirmar que não merecem ser estupradas, deveríamos usar todo esse movimento e as discussões ricas que ele vem proporcionando para ampliar e enriquecer nossa visão acerca das questões de gênero.

Que, ao invés de apenas questionarmos a validade da pesquisa que deu origem a estas reivindicações, tenhamos em mente que, independentemente do resultado e do que muitos pensam a respeito do tamanho de nossas roupas, o estupro continua acontecendo e que todo e qualquer motivo e espaço que nos convide a falar sobre, nunca deixará de ser válido e construtivo.

Seja compartilhando fotos ou experiências ou apenas o acompanhando, que possamos enxergar e compactuar com toda a positividade que este movimento vem trazendo junto consigo. Que haja menos atenção aos detalhes e mais abertura e ouvidos para tudo aquilo que precisa e merece ser dito. Que se fale da maneira que for, pelo motivo que for, mas que se fale. Qualquer voz é melhor do que o silêncio. Não merecemos ser estupradas e cansamos de permanecer caladas.

Patrícia Pinheiro

Texto publicado no Blogueiras Feministas e no Portal Africas.

Novidades

Olá, gente bonita!

Hoje o post vai ser destinado a compartilhar com vocês, meus leitores, duas recentes conquistas!

 Comprei, finalmente, um domínio para o blog! Agora o Patrícia Pinheiro - Textos é .com.br!

 Minha crônica, "Afinal, o que querem as mulheres?" foi publicada na edição virtual e IMPRESSA do jornal Diário de Santa Maria. É difícil explicar a emoção única que é ver algo meu publicado no jornal da minha cidade querida!

Como não estou mais morando em Santa Maria, ainda não consegui ter acesso ao jornal e, por isso, pedi para um amigo tirar uma foto que agora compartilho com vocês:




Beijos,

Patrícia Pinheiro


#3 curiosidades a meu respeito


Vi, nos últimos meses, várias pessoas compartilhando pelo Facebook curiosidades sobre si e, embora sabendo que poucas pessoas se darão ao trabalho de ler, sou obrigada a confessar que a narcisista que mora em mim não me deixou em paz até que eu fizesse o mesmo.

Assim, eis aqui três curiosidades trágicas e engraçadas a meu respeito:

Número um: Não sei exatamente em qual momento de minha vida eu me tornei a pessoa tímida e insegura que sou hoje, pois, durante toda a minha infância e parte da minha adolescência, eu sonhava em ser atriz. Eu adorava uma plateia, tudo virava teatro. Fiz, inclusive, com meus 11 ou 12 anos, um curso de teatro e, ao final, apresentamos uma peça onde eu era uma senhora que esbanjava peitos falsos enormes e trajava um vestido no qual deveria caber umas três Patrícias. Na cena final eu corria aos berros atrás do meu "marido" com um peru assado em mãos que, sim, eu acertei nele.

Número dois: Ganhei, ao 13 anos de idade, meu presente de 15 anos: uma viagem para a Disney. Duas semanas com a minha melhor amiga no lugar em que os sonhos se realizam. Nosso sonho, porém, no segundo dia, era voltar para casa. Ao menos o meu era. Eu não tinha nem forças para aplaudir a Sininho luminosa que planava sob o castelo da Cinderela, porque eu sentia muito calor, tinha um sono desumano e uma fome desgraçada de qualquer coisa que não fosse hambúrguer com gosto de nada, batata frita e refrigerante. 

Número três: Quando eu era criança, meu pai começou a apresentar problemas de saúde. Ele teve duas convulsões na minha frente em diferentes épocas da minha infância e ambas no momento do almoço. Eu demorei muito tempo para conseguir comer à mesa, principalmente em restaurantes, sem ficar nervosa e enjoada. Até hoje eu ainda apresento uma relação incomum com a tal da comida. Freud explica ou eu já expliquei?

Leda


Leda

Minha avó Leda está doente. Não se sabe bem ao certo se é orgânico, se é cansaço, ou se é uma soma das duas coisas. 

Acho que a preocupação, o querer alguém tão bem a ponto de desejar pegar todo para si o seu sofrimento, é a maior prova de que amamos alguém. E eu a amo pelos seus detalhes.

A amo pelas pequenas mesinhas de abrir que mantinha em sua casa em minha infância, nas quais eu desfrutava de sua deliciosa salada de maionese nos almoços de domingo.

A amo pelos vistosos brincos de pressão que nunca deixaram de estar pendurados em suas orelhas, pelo batom coral em seus lábios e pelas suas unhas sempre bem feitas. 

A amo por ter uma poltrona só dela em sua sala de estar, e pelo jornal rigorosamente posto a sua frente.A amo por seu amor à leitura.

A amo por sua intimidade e gentileza aos garçons, aos porteiros de seu prédio, aos filhos desses porteiros.

A amo até mesmo por sua sinceridade muitas vezes cruel, mas, acima de tudo, por sua sinceridade consigo mesma.

A amo pelo cheiro, pelas camisolas, pelos olhos azuis brilhantes, pela inteligência, pela coragem, pelo medo, pelo senso de humor, pela preocupação, por ser minha.

Patrícia Pinheiro

Afinal, o que querem as mulheres?


Olá, gente!

É Com muita alegria que venho compartilhar com vocês a notícia de que uma crônica que escrevi recentemente foi publicada nestes três sites lindos: Blogueiras Feministas, Geledés Instituto da Mulher Negra e Africas e, agora, aproveitando que hoje é dia da mulher, divido ela com vocês, meus leitores queridos!


                              Cena da série “Afinal, o que querem as mulheres’ (2010) da Rede Globo.


Afinal, o que querem as mulheres?



Muitas pessoas, em sua maioria homens, afirmam que as mulheres não sabem o que querem, que se contradizem e mudam de opinião acerca de tudo a todo tempo. Da mesmíssima forma como ocorre com o sexo masculino, podemos mudar de opinião constantemente, descobrir e redescobrir nossos desejos, ir do amor à indiferença, se assim quisermos. Mas, pensando nas mulheres com quem convivo, posso assinalar algumas coisas que desejamos.



Queremos, da mesma forma que os homens, gozar da liberdade de vestirmos o que bem entendermos sem que precisemos nos preocupar com qualquer tipo de preconceito ou assédio. Que nosso caráter e nossa disponibilidade sejam medidos por nossas palavras, e nunca pelo tamanho de nossas saias.

Queremos a paz de ter nossos corpos e vidas livres de todas as construções machistas que ainda estão por aí nos cercando, nos melindrando, nos diminuindo aos pouquinhos. Que não nos empurrem padrões de beleza, que, por hipótese alguma, nos designem papeis que não desejamos cumprir, e que parem de reforçar, dentre tantas outras tristes ideias, que o homem é a vítima no casamento.

Queremos ser vistas e tratadas como seres humanos complexos e ricos que somos, e não como meros pedaços de carne. Que os olhares que diariamente percorrem nossos corpos em busca de coxas e seios, experimentem se colocar em nossa posição, de corpos que são facilmente taxados de gostosos ou feios, de “pegáveis” ou não. Os olhares não devem desconsiderar que somos sujeitos de nossa sexualidade, não objetos da sexualidade alheia.

Queremos, com todas estas exigências, que entendam que não somos e nem queremos ser melhores que os homens, buscamos apenas a igualdade, o que é justo, o que nem deveríamos ter que pedir porque respeito já deveria ser nosso, mas que muitos não enxergam.

Queremos, acima de tudo, que não melindrem e banalizem nossos apontamentos acerca daquilo que nos atinge, que não intitulem frescura o que somos nós exercendo nosso direito de luta.

Não é preciso saber tudo, basta entender o que reivindicamos. Alterar todas estas ideias e comportamentos do dia para a noite é realmente utópico, pois ainda há toda uma cultura que nos desfavorece. O que queremos é que, ao invés de ajudar a alimentá-la, que passem a se juntar a nós nessa constante análise e crítica, desconstrução e construção de valores e comportamentos. Para que, exatamente da forma como o feminismo propõe, atentando-nos aos pequenos detalhes do cotidiano, através do diálogo, do descobrimento e encontro de nossos ideais, possamos ser igualmente beneficiados, possamos crescer juntos.


Patrícia Pinheiro

Resultado do sorteio literário - Kit nº 2

Olá, gente!

Peço desculpas pela demora, mas, como as meninas organizadoras ainda estão finalizando o sorteio (conferindo se as pessoas cumpriram as regras corretamente e tal), venho anunciar que já saiu o nome da sortuda que ganhou o kit de número 2, do qual o meu livro faz parte.

E o vencedor é:

Luis Fernando de Sá

Parabéns, Luis!

Estarei entrando em contato contigo via e mail para conferir seus dados e enviar o livro pelo qual o meu blog ficou responsável de enviar.

Fiquem de olho nos outros blogs participantes para acompanhar o resultado do sorteio dos outros kits!

Beijão!

Joelhos machucados


Joelhos machucados

Andei sem inspiração para escrever. Pedi uma sugestão ao meu namorado e ele, rindo, respondeu: "Escreve sobre o teu joelho machucado". 

Escorreguei em uma rampa molhada e estou há mais de uma semana soltando "ais" a cada subida de escada. E quando eu esqueço que dói e faço movimentos bruscos? Socorro!

Pensando bem, acho que todos nós vivemos com joelhos machucados.

Somos obrigados a realizar nossas atividades rotineiras mesmo que a dor esteja lá, mesmo com a ferida, visível ou invisível.

Escorregamos, caímos e, ainda que seja necessário que alguém nos puxe, nos levantamos. Mas restam muitas pessoas carregando joelhos machucados por aí.

Muitos corações partidos bombeando sangue.

Muitos pés descalços correndo maratonas. 

Muitos ombros pesados servindo de ombro alheio. 

Vivemos na constante tentativa de esquecer da dor dos joelhos machucados, de mascará-la, postergá-la , até que venha a vida e os bata com força, escancarando-a.

E, assim, entre tapas e subidas, entre dias melhores e piores, entre gritos e lágrimas, algumas dores, eventualmente, vão embora.

Ao menos até que surjam outras rampas molhadas.

Patrícia Pinheiro